GASTRONOMIA - JAZZ CAFÉ

 

 

Durante o Valadares Jazz e Blues Festival, na Praça dos Pioneiros, teremos a agradável presença do Restaurante Dom Caixote "Cozinha e Cultura", dos deliciosos pastéis de Taty Silva, no Degustaty's, e o chopp da Hausmalte. Confira o nosso cardápio.

 

1) Arroz Jambalaya
Arroz com linguiça mineira e frango, com mix de especiarias creole-cajun. 

2) Mojo hand
Caldo de abóbora com carne seca e ervas e especiarias ocultas. Também na versão vegana. 

3) Frieds 
Tirinhas de frango, peixe e legumes crocantes acompanhadas de molho especial

Num país cuja gastronomia é tachada como pouco criativa e de pálidas tradições, uma cozinha vive em eterno estado de graça. Bem no Sul dos Estados Unidos, a Louisiana é dona de uma culinária singular e complexa, que ainda tem muito a ser descoberto. Ela é rica e generosa na área urbana de New Orleans, enquanto que nos campos e pântanos às margens do Rio Mississippi ela se apresenta simples, rústica, farta e ritualística. Não é dada a refinamentos ou sofisticação formalística, mas evidencia o bom humor e a improvisação provenientes de uma peculiar densidade espiritual.

Da cidade e dos campos surgiram as duas principais vertentes dessa cozinha: respectivamente, a creole e a cajun. Nas últimas décadas, no entanto, a linha divisória entre elas se entrelaçou, extrapolando a rigidez dos entornos geográficos e causando confusão. Cá entre nós, deve ser porque tem muita história temperando os hábitos alimentares dessa região. Para se ter uma ideia, de todo o continente americano é a cozinha que mais produziu literatura gastronômica, com centenas de obras que tentam decifrar os trejeitos de suas receitas – entre as mais conhecidas estão a jambalaya.

A excitante cozinha de New Orleans é considerada a mais rica dos Estados Unidos, condimentada ao extremo, mas com um equilíbrio gestual e uma ternura que não ferem os ingredientes principais e resultam em uma combinação harmônica. E não é difícil entender o porquê. Em suas panelas foram depositados o DNA das culturas francesa, espanhola, negra, germânica, italiana e ameríndia, nativa das ilhas da América Central. Houve um saquear de segredos étnicos e hábitos, uma transfusão de práticas culinárias e gostos e um cruzamento de culturas que resultaram em uma tempestade de sabores e técnicas. Uma fusão racial que parece não ser comum a qualquer outro lugar do planeta que não essa região sonora, berço de bons jazz e blues.

Muita gente se enrosca ao tentar decifrar as cozinhas creole e cajun, mas as diferenças ficam claras quando buscamos suas origens. A cultura cajun é trágica, norte-americana a contragosto. Nasceu com o povo francês que imigrou no início do século 17 para o Sudeste do Canadá e fundou a colônia chamada Acádia (hoje Nova Escócia). Com a crescente rivalidade entre Inglaterra e França, os acadianos passaram a ser perseguidos e expulsos do território. Famílias foram deportadas, homens foram vendidos como escravos e vilas incendiadas. Os que conseguiram fugir encontraram abrigo na Louisiana, na época uma possessão francesa. Isolaram-se nos pântanos e nas planícies despovoadas, onde reconstruíram seus hábitos primitivos de vida, mantiveram sua cultura intacta e se tornaram-se hábeis caçadores.

Foi daí que nasceu a jambalaya, que leva camarão (hoje símbolo da Louisiana), frango, ervas, temperos e embutidos. Surgiram também os empanados de peixe, frango, legumes, sopas, roux, caldos e uma infinidade de molhos picantes, todos remetendo à França. Na sociedade cajun se cozinhava em uma só panela para toda a família, tendo ervas, caças e frutos do mar como ingredientes. Foi só em meados do século passado que os acadianos começaram a incorporar os cacoetes da cultura moderna americana.

Já os creoles são descendentes dos aventureiros da média aristocracia francesa e espanhola que se fixaram em New Orleans, onde, nos quase 100 anos de domínio francês, construíram o French Quarter, a mais famosa área da cidade. Praticavam uma técnica gastronômica sofisticada, com produtos refinados levados pelos chefs do velho continente. Contudo, não resistiram muito tempo e logo absorveram os ingredientes e as especiarias nativas, entre elas as pimentas branca e caiena. Também aportaram ali os imigrantes alemães, os negros que chegaram para trabalhar nas plantações de algodão e cana de açúcar e os colonos italianos. Era o último passo para uma incomum ebulição étnica que faria vir à tona a cozinha creole.

Fonte: Site Correio. Por chef Lauro Lucchesi. Publicado em 25/08/2016. 
http://correio.rac.com.br/mobile/materia_historico.php?id=445847


Mojo Hand

Uma mistura de raízes, ervas, pedras semi-preciosas, pequenos ossos de animais, guardada em um saco de flanela, que pode ser escondido sob a roupa ou em algum recinto. Mais conhecida no folclore africano como mojo hand (mas também chamada de nation sack, wanga, wanger e oanga, em culturas similares) tal combinação de ingredientes, assim como uma espécie de amuleto, possui um sentido mágico e especial para o seu portador. Os nativos africanos que deram origem à tradição consideram que a manipulação desses itens carrega uma força espiritual, que ajuda a manter contato com os antepassados, tidos como fonte de proteção e influência para atingir determinados fins, como, por exemplo, afastar os maus espíritos, ter boa sorte, esbanjar fortuna ou ser desejado por alguém. 


A mojo hand pertence ao hodoo, ritual de magia popular derivado da África e atualmente famoso nas bandas de New Orleans. Essa prática remonta a antigas tradições folclóricas africanas e possui forte aproximação com o universo do blues. É mais um dos elementos de origem afro que se misturaram à cultura americana por conta da escravatura. 


Para além de uma mera superstição, a mojo hand advém de uma cultura milenar que se transformou no decorrer dos tempos e se constitui como referência cultural, estética e espiritual. Como não podia deixar de ser, a lista de bluesman que fazem referências à prática é extensa. Robert Johnson, em Come On In My Kitchen, mostra um personagem submetido a um tipo especial da técnica, usada por mulheres para manter a fidelidade dos homens. Muddy Waters, em Got My Mojo Working, e Lightnin Hopkins, em Mojo Hand, narram idas até Louisiana para obter uma ‘mão mojo’ e conquistar amores não-correspondidos. Até mesmo os Beatles já mencionaram o termo em uma de suas canções mais famosas, Come Together. Outros artistas como Ma Rainey, Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell, Brownie McGhee, Memphis Jug Band e Texas Alexander também possuem composições que remetem à mojo hand.

Fonte: http://www.msdelta.com.br/rio-de-janeiro/blues

 

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